Iniciando o processo é por assim dizer...exactamente isso. Iniciar o processo de viver a vida de forma independente sem contar com ele para nada.
Na minha ótica de mulher casada há 27 anos( isto não soa bem mas soa,) sempre entendi que casamento é um projecto a dois...mas só que não. É essencialmente um projecto na cabeça feminina mas que é coordenada pela vontade masculina. O que só por si mostra logo que está tudo errado. Basicamente o que nós mulheres sentimos ou pensamos sobre o casamento, não de todo nem de longe nem de perto o que os homens ou a grande maioria dos homens pensa, sente ou quer.
No meu caso e após 20 anos de violência doméstica ( e digo isto duma forma assim bruta , seca ) decidi levar em frente a acusação via tribunal e ganhei o processo. Ele teve de cumprir uns quantos preceitos para não ficar efectivamente preso, que cumpriu como um cordeirinho lindo,( e digo isto duma forma cinica e fria) mas que após o cumprimento, entendeu que não pretendia introduzir mudanças na sua postura pois isto de ser agressor porque sim dá-lhe um "poder" fantástico.
Continuamos casados, vivemos em casas separadas, existe uma convivência que pretendi cordial por nós e pelas filhas, mas ...só que não. A atitude arrogante, vingativa e de personalidade egocêntrica perversa ficou mais aguçada e tristemente vejo o homem que no inicio admirava ,transformar-se na pessoa que mais asco que me dá.
Então...
Bem então estou a reformular o meu modo de vida...e com elas mulheres feitas com os seus percursos académicos e profissionais em progresso, vou criando agora o espaço para mim e me recuperando para mim.
Não é um processo tão fácil assim. Mas também não é um processo difícil. É um processo em construção diariamente, até porque preciso de mudar alguns hábitos adquiridos que é por exemplo, o estar disponível para mim no momento que quero sem estar à espera de que o outro esteja.
Mais.
É estar disponível para mim sem ter que contar ao outro absolutamente nada. Sair sem dizer nada. Pois se ele entende que pode fazer e muitas vezes faz dando a entender que o faz porque eu criei condições para que agisse assim...fazendo sempre me sentir como culpada. Tipico não é?
O regresso à sua postura de agressor verbal retomou e eu voltei a permitir que me desestabilizasse. Erro meu verdade. As filhas conseguem defender-se melhor sobre esta questão que eu. Sobre esta situação acresce mais 7 anos e ao fim de 27 anos , em que 3 anos foi de um aparente progresso por condenação, consigo perceber que casei com um psicopata e dei-lhe até agora o alimento para que permanecesse na minha vida.
E pronto...iniciando o processo passa basicamente em primeiro lugar não me sentir culpada de nada e a seguir fazer as coisas da vida como se sozinha vivesse ...e obviamente não alimentar mais este comportamento. Mantenho o contacto com ele pois há deveres de pai que tem de ser cumprido e eu mantenho-me firme que isso esteja assegurado na vida delas pois pode jogar comigo mas com elas não permito que o faça.
O jogo começou agora, também vou dar as cartas e darei as cartas quando entendo e como eu quero. Também sei jogar.
Vamos isso.
Bom dia mulheres
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