Tema dificil
E difícil porque nunca achamos que nos possa acontecer tal coisa.
Difícil porque afinal acontece.
Difícil porque ficamos sem acção e permitimos anos a fio a relação abusiva.
Até conseuimos identificar os sinais, Até passou de sinais a vias defacto.
Mas fizemos igual a tantas e tantas outras mulheres de outros tempos, dos tempos actuais e do mundo inteiro.
Pois é.
Eu também.
As relações abusivas não são só aquelas que chegam as tais vias de facto. Ficar com marcas no corpo.
São as que se iniciam com atitudes provocatórias para discussão gratuita, destratar numa conversa que aparentemente é casual, considerar que podem questionar o que fizemos em casa ou como organizamos o nosso dia, decidir por nós sem nos consultar, desvalorizar a nossa profissão, etc etc
Parece algo sem importância mas está lá todos os indícios de relação abusiva. Depois a partir daqui as coisas vão sendo gradualmente mais violentas. A sensação de poder começa a ser algo que agrada ao outro e as coisas começam a ser mais violentas , mais constantes e nós começamos a ficar mais cansadas, a definhar e a isolarmos.
Quando nos matemos com auto estima, a carga realmente é de grande violência e diária e mais que diária é durante o dia...
Levei com este tratamento durante vinte anos. Foi condenado. Mantemos o casamento. Após o cumprimento da pena (suspensa) com terapia de grupo , controlo do consumo do alcool...voltou às mesmas atitudes.
No meu caso o consumo do alccol é o pretexto para que socialmente seja perdoado, pois que é por causa do alcool que ele é absuivo.
Só que não.
O álcool é o pretexto. Grande parte do tempo não está alcoolizado. Está abusivo, perverso. Narcisista perverso.
Hoje, vivendo noutra casa , consegui a paz.
Ainda se mantém abusivo porque eu decidi permanecer perto dele pois há deveres de pai que não vou permitir que se abstenha ou ache que o pode fazer. Duas filhas com percurso académico ensino superior, necessidade de serem acompanhadas financeiramente. Uma delas até já está livre pois já está a trabalhar mas ainda há outra...e não permito que possa ficar de fora da sua obrigação. Sim porque há sempre a tendência dos filhos pagarem caro o afastamento dos pais. Numa relação abusiva piora esse comportamento do abusador pois como se acha, considera que não tem de cumprir o seu papel.
Lamento. Mas tem.
Nem que eu tenha de ser jogadora...ah pois. Aprendi a lançar os dados a meu favor. Depois que compreendi que é um abusador cínico e perverso, os meus sentimentos acabaram. Não sinto nada. Nem sofrimento. Não me interessa o que diz ou faz. Não me machuca mais,
Lido com ele de uma forma fria e objectiva. Cumpra o seu papel de pai. O que lhe pode acontecer como pessoa fica de fora dos meus interesses.
27 anos de saber o que ele é.
20 anos de diariamente ser machucada.
20 anos a erguer um homem de manhã e a vida a meio da manhã devolver um agressor.
estes mais 7 anos quase 8, após estes 20...ah minha gente, estes quase oito anos, o jogo é meu.
Cá está. Calibrando os desequilíbrios...eu.
Tenho dito